terça-feira, 30 de agosto de 2011
E o espetáculo continua...
Uma sensação de impotência...

domingo, 24 de julho de 2011
Caneta e papel... não mais necessários para o aprendizado da escrita?

Como dispensar caneta e papel, o pegar a caneta, entrelaçar os dedos, apoiar o pulso no apoio do papel....Traçar as letras, repetí-las e traçá-las uniformemente(ou não!). Escrever na linha, inconsciente calcular os espaços, colocar um ritmo, parar o movimento quando o pensar parece escapar. Reler o escrito e perceber que a mão corre mais que a palavra pretendida, engolir as letras, forçar a ponta e marcar o avesso do papel.
E o rabisco? Trocar uma palavra por outra, rasurando aquele pedaço. Ou simplesmente passar um traço em cima da palavra equivocada, mas deixando ali a sua marca para que saibam o que havia escapado pelos dedos.
E a caligrafia, não mais importa? Aprender os traços de cada letra, dominar o movimento preciso para se fazer um “a”ou um “s”. Escrever com a preocupação de ser entendido, lido e decifrado. Não mais se terá uma marca nesses traçados que nos fazem ser únicos pela letra traçada?
Pela perplexidade que me causou a notícia, devo estar ficando anacrônica, num tempo outro que não combina com essas manchetes. Reagi menos como professora e mais como uma apaixonada por letras, inclinações e traços.
Fico pensando que então, se as crianças de hoje não mais aprenderão a escrever usando papel e caneta, não saberão, mais tarde, o sabor dos bilhetes trocados com o amado que poderiam até dispensar a assinatura, porque a própria letra já seria a própria alcunha. Não mais reconhecerão o outro pela letra. Engraçado, sempre senti necessidade de conhecer a letra das pessoas. É uma maneira de apreendê-las um pouco mais. E agora, como será?
domingo, 17 de julho de 2011
Mais de mim....

Folhear antigas agendas, se deparar com velhas anotações de um tempo outro, em que meu corpo e meus sonhos estavam em outro lugar.Faxinar o vivido...revirar o tal baú-vida a partir de certas materialidades que, de repente, nos surgem. A menina que fui, o endereço que tinha, a letra ainda tremida dos primeiros passos dados como escrevente, como leitora, como alguém que começa a querer entender o mundo. Fico à procura do que sou naquilo que fui, do que ainda tenho em mim de um tempo em que não havia perdas nem dores reais. Cavo espaços, forço a memória e o que me vem é um álbum mal conservado de histórias que apenas se anunciavam, mas já repleta de lembranças. Ausências antes presentes, medos inexistentes e outros, tão inteiros em mim. Desfazer um espaço para construir outros, retomar o tempo, para continuar seguindo. Tarefas estranhas, silêncios imensos, chuvas torrenciais. É o tal tamanho da vida...às vezes feito de estreitezas, outras vezes, do tamanho do mundo.
sábado, 16 de julho de 2011
Ninguém sabe o tamanho da vida...II

E nem eu sei onde prá onde caminha o meu pensar. Por isso, apenas me deixo ir. Pensando ainda sobre a vida e seu tamanho. Sobre a pequenez que muitas vezes fazemos do viver, a estreiteza que as opções marcam esse baú feito de vida. Tamanhos minúsculos de um viver de labuta, de dores, de medos e de enganos. Tamanhos médios de vidas médias, cotidianas, feitas de trabalho e de algum prazer. Tamanhos imensos, de vidas intensas, de ar que falta numa imensidão de sentidos. Baús enormes, esbanjando alegrias; baús tão grandes quanto, derramando dores. Baús um pouco menores que carregam obrigações, que desperdiçam coragem e outros, menores, tímidos, compactos de medos.
O vida define o seu tamanho, aos poucos, pelas experiências, pela forma que inventamos de “estar-junto-com “ . Crianças modelam o que será o tamanho da vida, ajeitam com argila de exploração, com as possibilidades de mundo, com a amorosidade recebida que determina os arranjos de seu baú. Jovens redimensionam esse espaço, supervalorizam os lugares ainda vazios e acumulam desejos de ser, desejos de estar. Os adultos voltam a redimensionar o seu baú, escolhendo e re-escolhendo o seu percurso, investindo no instituído,buscando algum tipo de re-conhecimento deste estado de viver. Os velhos, ahhh, os velhos...Um baú gasto, vazios que se preenchem de lembranças, cantos desapegados de matéria. De longe, parece que o seu tamanho diminui, de perto, um baú expandido, feito de pedra e de água. Que se remodela permanentemente, que se cristaliza em seu entorno. Tesouro de sentidos, riqueza de detalhes, raridades nem sempre visíveis lá ficam em suas rugas, em seus passos lentos, em seus ouvidos seletivos.
O tamanho da vida? Sem régua, sem dimensão única.Tamanho impreciso.
“Ninguém sabe o tamanho da vida”

Foi assim que uma amiga terminou uma pequena mensagem para mim. Pois é, que tamanho tem a vida? Em termos de cronos, a vida tem uma duração, um limite e pode-se calcular a média desse viver cronológico. Mas, a vida, preenchida de Kairós, é misteriosa e por isso, instigante. Qual a dimensão do viver, qual o alcance dos encontros e das perdas? Qual o sentido da saudade e da paixão?Por quantas vezes pessoas passarão pelas nossas vidas? Há lugar para todas elas nesse caminho de vida? Das lembranças que ficam, há lembranças maiores ou menores?Dores mais fundas e dores equivocadas?
O tamanho da vida depende do lugar da morte nela. Da morte que espreita e que está a cada virada de esquina que damos. A morte que regula essa vida em tamanho.
Gosto de pensar a vida como um baú, aberto, escancarado que nos é oferecido para ali depositarmos nossas angústias, guardarmos nossos amores mais sensíveis, revirar reencontros, esconder desejos. Esse baú, tão sempre cheio de vazios a serem ocupados, de sonhos a serem realizados, de momentos para serem ainda vividos. Qual o tamanho do baú?Qual o tamanho da vida? Que fundo tem essa vida-baú que tudo cabe, que muito se perde, que algo se guarda com especial cuidado?
Fecho os olhos e penso nesse baú que está em mim...como o deserto está em Guimarães Rosa. Vislumbro-o revirado, desorganizado, avesso às gavetas e aos dispositivos organizadores. Mexo e remexo nele procurando o que não sei, deixando escapar o que me seria útil, mas pouco prazeroso. Vou nele para me reabastecer de....vida. Vida-baú que de tão aberta, torna-se inescapável a mim. Sim, há cantos meio escuros, outros pontos sem centro que me fazem ir por onde quero ou vou à esmo, tateando lugares, revendo espaços des-ocupados. O seu fundo inatingível, as perguntas que não serão respondidas...à espera de seu fechamento. Que não feche, que fique, que se embaralhe cada vez mais e que o colorido predomine sob o cinza de alguns dias. E assim, alma acolhida e refeita, meu baú vai aumentando...que tamanho tem a vida?
domingo, 10 de julho de 2011
O peso de ser ficção...

domingo, 12 de junho de 2011
Dias de enamoramento...

Enamorar-se significa manter o encantamento, sentir-se tocado pelo outro. Que seja assim não apenas numa data marcada em calendário e tornada peregrinação em comércio. Que seja compromisso diário de quem vive amizades, de quem compartilha sonhos, de quem mantém a esperança em dias melhores. Que os sinos que ouvi sejam de anúncio de dias que comportam a semana. Dias de enamoramento, de encantamentos nos pequenos gestos, nas ações diárias de seres apaixonados pelo viver.Feliz dias de namorados!!!!
domingo, 5 de junho de 2011
Sobre Patrimônios Imateriais...


Algo está de cabeça prá baixo, algo está fora de lugar. Será nosso juízo? Será a inversão de valores que esfrega estranhamentos em nós? Serão o exercício de poder e as picuinhas políticas que encobrem posturas ainda ditatoriais no país?
Como professora e como cidadã registro aqui minha indignação à forma como a sociedade(e somos todos nós!) (des)cuida de profissionais raros, imprescindíveis. Profissionais que merecem um salário suficiente para continuarem sua missão de segurança e amparo aos milhões de outros cidadãos. Que sejam respeitados, que sejam ouvidos, que sejam valorizados!
sábado, 4 de junho de 2011
PARA ALÉM DE UM GRUPO DE PESQUISA...UM ESPAÇO DE AFETO

Aqui, a proposta é refletir e registrar acerca de um grupo que se constitui afetivamente e preenche seus espaços de entre-pesquisas, em espaços de encontro com o outro. Palavras não apenas usadas para referenciar idéias, mas palavras que carregam o significado das pessoas, de suas histórias, de sua caminhada ao longo de tantos anos de trabalho em conjunto.
Por isso, ao pensar nesse grupo, esse texto se propõe a apresentar o intangível de sua produção nesses anos de pesquisa. Desde 2005, um grupo foi se formando com o objetivo de investigar , sob a batuta de Mere Abramowicz , questões atuais de currículo, tendo como foco as políticas públicas. Educadores, estudiosos e fazedores de educação, homens e mulheres que tem na PUC de SP o espaço de continuar seu vínculo, fortalecer seus saberes e demonstrar sua fecundidade teórica sobre currículo. São mestrandos, doutorandos e doutores que se reúnem mensalmente, mas que se articulam todo o tempo por meio de email de grupo para agilizar produção, conferir dados, compartilhar resultados parciais de pesquisa e para também, se desvelarem ultrapassando as próprias pesquisas em andamento. Eis o intangível, o que ultrapassa as formas da academia e do rigor epistemológico. O rigor que se construiu nesse grupo relaciona-se com o amparo e cuidado que todos têm com todos. O rigor das relações trabalhadas, dos afetos de bem-querência que surgem nas dificuldades, nas dores, nas perdas que ocorrem no decorrer dessas vidas tão singulares e diferentes, mas tão próximas na amorosidade e no respeito.
Um grupo constituído por pessoas que trabalham, pensam e vivem a Educação e, por isso, revestem seus contatos, seus recados, seus abraços e seus sorrisos em vestimentas de educadores. Porque, a cada email enviado, há um retorno efetivo de um, dois ou de todos os outros membros do grupo, respondendo, acarinhando, amparando a angústia, subvertendo a dor que se apresenta, respaldando incertezas, sorrindo com os sucessos de tantos. Há o mais tímido, o mais calado, mas mesmo esses, pelo silêncio, mostram a atenção e a cumplicidade. Há os que respondem , às vezes, tardiamente, e demonstram que mesmo assim, estão atentos ao grupo. Há os que são econômicos nas palavras, mas estas vêm fortes e precisas a quem se dirigem. Há os que poetizam o viver e tornam nosso e-group um espaço de beleza infinda. Há os que notificam suas dificuldades,traduzem momentos trágicos e nos alegram quando retornam inteiros e esperançados. Há os que, algumas vezes, se sentem invisíveis, e ao se sentir assim, se deixam dizer sobre essa sensação porque sabem que serão aceitos até em seus ímpetos de carência e de pedidos de socorro. Claro, deve haver algumas antipatias não ditas.Mas, até elas se relativizam diante do cotidiano da pesquisa e do movimento constante do grupo. Pois é, este grupo é assim.
Um grupo registrado no Cnpq, que muito produz. Artigos, livros, trabalhos em anais nacionais e internacionais, capítulos de livros. Porém, um grupo que vai além da lógica atual da pesquisa no país. E, exatamente por ir além dessa lógica produtivista dos órgãos governamentais, mantém sua vitalidade acadêmica. Ousadia dizer(e já ousando porque o grupo respaldará isso!) que o que sustenta o grupo ao longo desses anos não é o interesse pela pesquisa, mas o interesse pelas pessoas. Porque somos educadores, porque precisamos ser melhores para sempre melhorarmos nossas práticas educativas. E estar nesse grupo é um exercício permanente de aprender a ser melhor. Melhor na palavra escolhida, melhor na maneira de ouvir e dizer, melhor na delicadeza dos encontros de idéias nem sempre iguais, nem sempre as mesmas. Exercício de um estar-com, riqueza da oportunidade que as diferenças nos permitem reconhecer realidades diversas, de Estados e Municípios outros e que demonstram a complexidade do educar e dos desdobramentos que tais cenários trazem para a pesquisa. Pois é, este grupo é assim. Grande, amorosamente talhado na maneira de ser e de fazer educação de sua líder, que como educadora, nos acolhe e nos sustenta. Num movimento sutil, vamos aprendendo também a acolher e sustentar idéias e principalmente, pessoas. Pois é, este grupo é assim.
terça-feira, 31 de maio de 2011

O que efetivamente está implicado nesse absurdo? Discursos que não traduzem as práticas de gestão. Escola como um não-lugar de professor. Alimentos para uns. Corpos negados. Mesquinharia e ignorância. Não reconheço a escola que me foi apresentada nessa conversa de professor. Desejaria que fosse mera história, completo engano. Gostaria que não fosse verdade, que me dissessem que é pegadinha, que os professores fazem suas refeições junto aos seus alunos, que o Estado garante esse direito aos seus tão mal-remunerados profissionais da educação. Que me acordem desse pesadelo, por favor!!!!
Dignidade aos professores!!!

Não adianta jingle em televisão clamando pelo valor e importância do professor, se as políticas públicas de gestão educacional não atentarem para o necessário cuidado para com os profissionais que garantem o funcionamento de suas escolas. Dignidade aos professores é o que devemos exigir!
segunda-feira, 9 de maio de 2011
EDUCAÇÃO EM TEMPO DE FLUIDEZ...

Como um colunista expôs há alguns anos, vivemos sedentos de conhecimento e saturados de informação. Nunca antes tivemos tantas possibilidades de saber o que acontece em lugares distantes, com pessoas tão diferentes e mesmo de outros tempos. São informações. Mas como transformar estas informações em conhecimento que faça sentido, que produza significados, que chega à raiz das coisas? Um lugar, a escola, ainda pode se constituir o único espaço possível para salvaguardar essa possibilidade de tratar a informação e cuidadosa e criticamente transformá-la em conhecimento.
É preciso que a escola resista às investidas desse caráter fluído do mundo que opera tempos e espaços outros. Por isso, a escola deve resguardar o direito de continuar-sendo o que sempre foi. Um lugar em que o silêncio, o bem-pensar sacralizem o diálogo e o encontro com os grandes pensadores do mundo. Escola que propicie redesenhos de identidades, que garanta o encantamento que o saber construído e reelaborado proporcionam ao ser humano. Escola de encontro de gerações que ousem a diferença, sujeitos que desconstroem certezas advindas do não-saber.
É preciso que o giz possa apagar as fórmulas, que as carteiras facilitem a mobilidade dos corpos, que o professor seja a referência para orientar o pensar e o descobrir. É preciso que a linguagem seja preservada e cuidada, que a emoção esteja também presente, que as mãos trabalhem as letras, que os olhos trabalhem as imagens e que todo o cenário seja um modo de resistir.
E, ao se resgatar a escola em sua perenidade, estaremos optando pela mudança deste lugar, pela resistência de continuar- sendo num mundo de fluidez.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Porque somos ainda sujeitos...

E mais uma vez, São Paulo...

domingo, 24 de abril de 2011
Passagem...

Páscoa é oportunidade de ressurgimento daquilo que não foi, do que aparentemente acabou. Que ressurjam os sonhos, que acordem as paixões, que os passos sejam retomados, que os caminhos se refaçam, que as luzes clareiem os cantos escuros e que as ondas voltem e quebrem na praia, em ritmos diversos. Que haja o renovar, o ressuscitar, o ressurgir do mesmo, porém, diferente em nós. Que os sonhos, os passos, as paixões retornem sempre.Que venham e se renovam os dias iguais, em suas diferentes manhãs.Que nós nos renovemos sempre para sermos o melhor que pudermos ser.
Que este domingo seja dia de desejo de travessia para lugares de afetos, de mundos compartilhados, de amores preservados. Feliz Páscoa!!!
domingo, 17 de abril de 2011
Desterritorializando a identidade...

segunda-feira, 11 de abril de 2011
Professores no cyberespaço....